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Como resgatar sua bicicleta de spinning e manter as resoluções de Ano Novo em 2025

Mulher jovem pedalando bicicleta ergométrica na sala com copo de água e calendário na mesa.

É bem provável que, com a chegada do fim do ano, você tenha parado para reavaliar algumas das suas resoluções de Ano Novo de 2024.

Talvez você, como nós, tenha comprado em janeiro uma bicicleta de spinning para casa ou um remo ergométrico. O mais comum é que, lá por março, você tenha percebido que usou muito menos do que imaginava. E, com muita chance, em junho o equipamento já estivesse soterrado por uma pilha de roupas.

Você não está sozinho. Uma pesquisa recente do Gallup mostra que sete em cada dez adultos pretendem estabelecer metas para o próximo ano. Segundo a Statista, as mais frequentes são metas de saúde (exercício e dieta), seguidas por economizar dinheiro. Não é por acaso que as vendas de equipamentos de treino disparam em janeiro.

Só que os estudos indicam que um quarto de nós deixa de seguir as resoluções de Ano Novo depois de apenas uma semana, e mais da metade desiste em até seis meses. Depois de dois anos, só 20% conseguem.

Então, por que insistimos em fazer resoluções - muitas vezes com um gasto considerável - mesmo sabendo que tantas acabam sendo abandonadas? E o que dá para fazer para persistir? Como “resgatar” sua bicicleta de spinning? Algumas descobertas recentes da ciência comportamental ajudam a explicar.

Por que tentamos - e por que falhamos com a bicicleta de spinning

Você comprou uma bicicleta de spinning porque é humano.

Outros animais não fazem exercício. Muitos são orientados por objetivos (perseguem ou fogem), mas apenas os humanos têm a capacidade de buscar aprimoramento pessoal para atingir melhor metas no futuro. Exercitar-se é um exemplo disso.

O psicólogo Abraham Maslow tornou famosa a ideia de que a autorrealização - cumprir o próprio potencial - ocupa o topo da hierarquia das necessidades humanas. Você quer ser a versão mais saudável e em forma que conseguir. Isso é perfeitamente natural.

O problema é que manter uma rotina de treino exige força de vontade e disciplina além do que a maioria consegue sustentar. Principalmente quando a escolha é entre o sofá confortável e a bicicleta de spinning. A ambição pode até estar pronta, mas o corpo fraqueja. Exercício parece difícil.

Isso acontece porque nosso cérebro evoluiu na Idade da Pedra, quando, para sobreviver, fazia sentido economizar energia sempre que surgia a oportunidade. Com comida escassa, nossos antepassados precisavam guardar forças para a próxima caça - ou para a próxima fuga.

A mesma lógica aparece em outros “vícios”, como comer compulsivamente ou exagerar em alimentos muito açucarados. Só que, no mundo moderno, esses comportamentos costumam ser contraproducentes, já que consumimos muito mais energia do que gastamos no dia a dia.

Autorregulação

Ainda assim, a sua bicicleta também pode ser um símbolo de esperança. Embora nossa psicologia muitas vezes entre em choque com a modernidade, temos uma carta na manga: a capacidade de nos autorregular. Quando estamos no nosso melhor, conseguimos passar por cima das tentações diárias e avançar rumo a objetivos de longo prazo.

A pesquisa em psicologia aponta dois ingredientes centrais para isso (além de definir metas): acompanhar o próprio comportamento para identificar deslizes e, quando eles forem detectados, corrigi-los.

Até aqui, você já cumpriu duas de três etapas: assumiu o compromisso ao comprar a bicicleta e percebeu que não o manteve. Agora falta trabalhar a parte da correção.

Dê um empurrão em si mesmo

Mestres zen transformam fraqueza em força. Você também pode usar a favor as falhas psicológicas que herdamos da evolução. A isso se dá o nome de auto-nudge: ajustar as próprias escolhas para aumentar a chance de tomar decisões melhores.

Um exemplo é a "sunk cost fallacy", a nossa tendência de decidir com base em gastos passados que já são irrecuperáveis.

É aqui que a bicicleta de spinning pode jogar a seu favor: como você já arcou com o custo, pode se sentir mais motivado a usar a bike nova em casa do que a ir para a academia. A mensalidade pode ser cancelada com facilidade; a bicicleta já foi comprada.

Você pode ir além e aplicar em si mesmo as ferramentas que as Unidades de Insights Comportamentais do governo usam. Por exemplo, formuladores de políticas utilizam o framework EAST para tornar os comportamentos desejados fáceis, atraentes, sociais e oportunos.

Ter a bicicleta de spinning em casa é mais fácil do que vestir seus Lululemon mais estilosos, arrumar a mochila, dirigir até a academia e procurar vaga para estacionar.

Também é oportuno: dá para pedalar quando for melhor para você, sem precisar enfrentar fila para armário, equipamentos e banho.

Por que não torná-la atraente também? Muita gente que treina em casa usa uma “ajudinha” para tornar o esforço mais palatável. Aqui em casa, a bicicleta de spinning fica permanentemente posicionada em frente à TV de tela grande. Cientistas comportamentais chamam isso de temptation bundling.

E dá para tornar a experiência social. É o fenômeno Peloton: instrutores, rankings e interação com a comunidade de treino.

Vire a página

Então, vale tentar de novo em 2025? Sim.

O começo de um novo ano é uma chance natural de se aprimorar por causa do "fresh start effect". Psicólogos descobriram que eventos que marcam a passagem do tempo (aniversários, feriados, ano novo) ajudam as pessoas a colocar mentalmente os fracassos no passado e recomeçar “do zero”. É uma estratégia curiosa - e funciona.

A lição é que o fim do ano cria uma ótima oportunidade para iniciar mudanças necessárias. Mas isso não basta. Você também precisa de estratégias simples para conseguir manter essas mudanças.

Swee-Hoon Chuah, Professor de Economia Comportamental, Tasmanian Behavioural Lab, University of Tasmania e Robert Hoffmann, Professor de Economia, Tasmanian Behavioural Lab, University of Tasmania

Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.


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